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Semana passada li uma critica na Folha, do curador do Masp, Teixeira Coelho, sobre o livro Eu Fui Vermeer, do jornalista irlandês Frank Wynne.
O livro conta a história do falsário Han Van Meegeren (1889-1947) que conseguiu enganar meio mundo na história da arte. (ainda não li o livro, mas vou ler).
O curador comenta que o sucesso de um falsário demonstra o fracasso da idéia da arte pela cultura,ou seja,a mera informação, o hábito, as idéias prontas. O curador fala ainda sobre o falso e o autentico na arte, e diz que durante séculos colecionadores copiavam obras que apreciavam.Se a copia é boa, então tudo bem. O valor, a virtude, não esta na originalidade, mas no bem fazer, diz ele.
O Masp abre a Exposição Virtude e Aparência com uma pintura de François Boucher. Uma magnífica copia de Paolo Veronese. No entanto sabemos que existe a obsessão pelo original, justamente porque em nosso mundo as idéias prontas têm muito mais espaço que a essência de qualquer coisa. O artista passa a existir mais que a obra.
Pensei no mundo da Moda, tão vulnerável à copias de todas as formas.Nas bolsas Louis Vuitton da 25 de março, nas reproduções chinesas e coreanas do bom Retiro que copiam descaradamente marcas como Channel, Armani entre outras. Eu não saberia distinguir se umas dessas peruas que flanam pelos shoppings portam replicas ou originais.O poder da farsa, nesse caso, não do bem fazer.
A falsificação sempre existiu, e no mercado da Moda impossível controlar. Alguns estilistas renomados dentro do circuito da moda, chegam ao disparate de copiar grifes internacionais. Isso é mais desmoralizante que a reprodução em massa, pois desmerece o Brasil como expoente criador.
Concluo: O mundo da moda não é o mundo das artes. Por ser altamente dinamizada pelo consumo, a moda com sua criatividade fica exposta à dissolução de sua essência pela repetição de si mesma.
Val Oliveira – e-mail: valcastaneda@hotmail.com Designer de Moda graduada pela Belas Artes- São Paulo, artista plástica e confeccionista.
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